"Uma nova onda de aplicativos baseados em dados abertos e tecnologia podem aumentar a participação dos eleitores e estimular uma maior compreensão dos sistemas políticos". É o que discute esta reportagem do The Guardian: Apps for democracy - open data and the future of politics.
Blog do Grupo de Pesquisa Politeia - Coprodução do Bem Público: Accountability e Gestão, da Universidade do Estado de Santa Catarina, Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas - UDESC/ESAG.
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segunda-feira, 22 de agosto de 2016
quarta-feira, 27 de julho de 2016
"O inevitável futuro da democracia aberta, mediada por bots e emojis", por Yasadora Córdova
Texto interessante de Yasodara Córdova, do Open Knowledge Brasil:
http://br.okfn.org/2016/07/09/o-inevitavel-futuro-da-democracia-aberta-mediada-por-bots-e-emojis/
http://br.okfn.org/2016/07/09/o-inevitavel-futuro-da-democracia-aberta-mediada-por-bots-e-emojis/
terça-feira, 8 de março de 2016
Tecnologias da Informação e Comunicação como facilitadoras da Accountability Social
* Por Luiza
Stein da Silva
O surgimento e constante
aprimoramento das tecnologias de informação e comunicação ao redor do mundo tem
feito com que as conexões estejam cada vez mais intensas e as “distâncias” cada
vez menores. É o que Augusto de Franco aborda em seu TEDx em São Paulo (2009) e chama de
Teoria do Mundo Pequeno. As relações e redes estreitam as relações entre as
pessoas e entre elas e as instituições formais.
De acordo com a Global Partnership
for Social Accountability (GPSA),
as tecnologias de informação e comunicação têm se demonstrado como poderosos
mecanismos para engajamento dos cidadãos nos processos de decisão pública e no
monitoramento do desempenho dos serviços governamentais. Diversos exemplos
mundo a fora mostram como o uso dessas tecnologias têm auxiliado a melhorar a
accountability, o acesso aos serviços públicos e os processos democráticos.
Nesse sentido, fazemos aqui uma breve contextualização dessa temática, e em
seguida, mostramos alguns casos pautados no uso das tecnologias, e como estes
têm facilitado a efetivação do que entendemos por accountability social.
Até meados do século XX, o conceito de democracia estava baseado quase
que exclusivamente em sua forma representativa, sem grandes espaços de participação
popular direta junto ao Estado, e com um governo mais tradicional e burocrático.
Ao longo do tempo, um novo ideário surgiu, buscando-se um modelo de democracia que
estruturasse o Estado com ampla participação popular (Perez, 2004). A sociedade
ganha protagonismo e ao Estado cabe a tarefa de facilitar o exercício da
cidadania, prover mecanismos de participação adequados.
No Brasil, a ampliação dessa participação é intensa e recente. Pode-se
dizer-se que o país ainda passe por um processo de amadurecimento, tanto em
nível macro, que contempla governos e instituições, como em nível micro, nas
práticas cotidianas de comunidades, governos e cidadãos (Paiva et al, 2004). Com a abertura do Estado à
participação popular, a democracia requer o desenvolvimento de novos
instrumentos institucionais que contribuam para mudar o modo de atuação dos
poderes estatais e o padrão de relacionamento entre Estado e sociedade.
Apesar de a democracia brasileira evidenciar a existência de déficits
institucionais que afetam princípios básicos dos regimes democráticos (Moisés,2008
apud Pinheiro et. al., 2014), estamos
caminhando para o conceito de governança em rede, em que vários atores estão
articulados para coproduzir esse Estado. Trata-se aí da retomada e do
fortalecimento da cidadania como condicional para a legitimação da democracia.
Um dos pressupostos fundamentais da democracia é a accountability
(Campos, 1999). Para esta autora, a concretização da accountability não se limita a uma previsão formal, a um
conjunto de organizações ou a uma reforma administrativa. Depende também de uma
sociedade mobilizada por cidadãos conscientes de seus direitos e atuando como
vigilantes (Campos, 1990).
A promoção da
accountability, uma vez limitada aos mecanismos de controle das instituições
burocráticas do poder executivo governamental, não atende aos resultados
esperados. Logo, a consolidação da democracia se daria de fato através de uma
mudança do cidadão, o qual passa de uma postura passiva a uma condição ativa (Campos,
1990). Observa-se, pois, a ênfase ao protagonismo da sociedade no controle
sobre o exercício do poder, este que é um pressuposto fundamental de regimes
democráticos.
Accountability, de modo geral, pode
ser entendida como a responsabilidade e a obrigação daqueles que detém poder –
estejam eles em governos, empresas, ou organizações da sociedade civil - em
informar e justificar as suas ações, comportamentos e resultados. Estando assim
sujeitos às sanções correspondentes pelas violações da lei ou de seus deveres
como agentes públicos, ou, ainda quando mostrarem desempenho ruim em suas
funções (Hernandez e Cuadros, 2014).
Porém, há conceitos de
accountability que vão além dessa perspectiva.
A accountability social, abordada
por Fox (2014), volta-se à melhoria do desempenho institucional, ligando o
engajamento popular à responsividade do Estado e das corporações. Na prática, o
conceito abarca uma vasta gama de inovações institucionais que promovem a
participação e projetam a voz dos cidadãos. A accountability social pode ser
visualizada como um guarda-chuva que envolve: cidadãos monitorando o desempenho
dos setores público e privado; uso de informações e sistemas públicos;
participação popular em processos decisórios, como por exemplo o orçamento participativo;
além de mecanismos de pedido e resposta ao público.
Vemos então uma evolução no conceito de accountability, com a qual surgem
mecanismos de comunicação e controle mais avançados, tanto por iniciativa de
governos, quanto advindas da sociedade civil. Na perspectiva de que o governo
tem caminhado de um modelo altamente burocrático para uma nova organização
pautada em redes, há também um novo modelo de comunicação entre governo e
cidadão. Entram em cena novas ferramentas, como as mídias sociais e aplicativos
para a comunicação, os quais vem substituir ou complementar as ferramentas
usadas no modelo mais burocrático, facilitando mudanças e adaptações (Shirky, 2008,
apud Meijer e Torenviled, 2014)
O esquema a seguir apresenta uma visão geral das mudanças mencionadas, que estão em curso na atualidade.
Fonte: elaborada pela autora
A partir do esquema, vemos que,
seguindo uma ideia de evolução, há mudanças nesses mecanismos de informação e
comunicação que vem ocorrendo gradualmente, contribuindo para aprimorar a
participação popular e a responsabilidade governamental. Nesse sentido, esses
novos instrumentos e tecnologias para a comunicação são vistas, a partir de
diversos casos, como facilitadores para a efetivação de um ideário de
democracia participativa, partindo da ideia de governança e de accountability
social.
Entre os recentes instrumentos mais sofisticados de resposta ao cidadão e
promoção do controle social, estão aqueles que contribuem para abrir os dados
governamentais ao público, ligados ao princípio da transparência. A partir da chamada
Lei da Transparência, de 2009, tivemos por exemplo a criação do Portal Transparência.
Lançado inicialmente pelo governo federal, o portal foi disseminado para
as diversas esferas e órgãos governamentais. Esse portal pode ser analisado
como um mecanismo governamental que facilita o controle social, ao trazer mais
transparência aos gastos públicos. Na prática, porém, funciona mais como
cumprimento do dever legal de publicizar os dados. Podemos
encará-lo então como um mecanismo ainda muito ligado à ideia de democracia
representativa, sendo um instrumento de comunicação unilateral.
A fim de ampliar a participação cidadã
e os canais de comunicação, outras iniciativas surgiram, grande parte delas
advindas da sociedade civil, com o intuito de aproximar mais sociedade e Estado,
caminhando em direção a um modelo de democracia participativa de fato. Surgem
aí iniciativas com o objetivo de controlar mais incisivamente o governo,
cobrando e pressionando a fim de participar das decisões e fazer com que ações
sejam tomadas para a resolução dos problemas. Essas iniciativas fazem uso da
tecnologia, assim como dos dados abertos, para mover cidadãos em prol de um bem
comum, buscando voz junto ao poder público. Dentre elas podemos citar aqui a
Rede Meu Rio, o portal Avaaz, o portal Vote na Web, dentre outros.
Criada em 2011, a rede Meu Rio
funciona como um canal de mobilização social pautado nos princípios da
democracia participativa. Para a organização, sua missão é a de desenvolver
tecnologias e metodologias que auxiliam aos cerca de 170 mil membros do Meu Rio
a participarem ativamente dos processos de decisão da cidade do Rio de Janeiro,
através de mobilizações.
Um dos aplicativos desenvolvidos pela Rede, e de acordo com a própria
organização o mais utilizado, é o Panela
de Pressão, um
aplicativo que possibilita o contato direto com governantes, parlamentares,
políticos e demais tomadores de decisão na cidade. Qualquer pessoa pode criar
mobilizações, para que outras pessoas se envolvam e os pressionem, seja por
e-mail, telefone, facebook, etc. Os pressionados podem e devem responder, sendo
que suas respostas são publicadas no Panela de Pressão. A equipe do Meu Rio faz
o monitoramento e dá mais suporte àquelas iniciativas mais alinhadas aos
critérios pré-determinados pela organização, entre eles o potencial da
mobilização de atingir o sucesso; e o caráter de urgência da mobilização (NOSSAS
CIDADES, 2015)
A atuação do Meu Rio ocorre através de causas, que contam com o suporte
da equipe de ponta da organização. Da mesma forma, o portal Avaaz atua a partir
de causas, como uma comunidade internacional de mobilizações online que visa
levar a voz da sociedade civil para a política global. Por meio de petições, a
missão do Avaaz é “mobilizar pessoas de todos os países do mundo para construir
uma ponte entre o mundo em que vivemos e o mundo que a maioria das pessoas
querem”.
Outra
inciativa é o Vote na Web, um portal para engajamento cívico apartidário, que
apresenta de forma simplificada os projetos de lei que estão em tramitação no
Congresso Nacional brasileiro. A partir dos projetos, qualquer pessoa pode
votar contra ou a favor e dar sua opinião. Os responsáveis pela iniciativa levam
ao Congresso os resultados da participação dos cidadãos. O objetivo principal é
aumentar a politização da sociedade e oferecer uma maneira fácil de acompanhar,
votar e debater sobre o trabalho dos políticos, além de criar um ambiente
favorável ao diálogo entre os parlamentares e os cidadãos.
Além dessas iniciativas originárias da
sociedade civil, vemos também iniciativas governamentais buscando o uso das
tecnologias para se alinhar à população e melhorar a prestação dos seus
serviços com o auxílio da mesma. No Brasil, bastante interessante é o E-democracia, portal criado pelo Laboratório
Hacker da Câmara dos Deputados Federais, com o intuito de conectar deputados e
cidadãos, por meio da tecnologia, em uma atividade de construção colaborativa das
leis e processos tratados na Câmara.
Outro caso interessante, e que podemos
tomar como modelo, é da polícia holandesa, a qual vem usando o Twiter como maior canal de comunicação
com a população, trazendo resultados visíveis na melhoria dos serviços
prestados. O Twiter vem sendo usado
pela polícia para fortalecer o contato com os cidadãos, trazer maior sensação
de segurança, alertar os cidadãos para que estejam sempre prevenidos, melhorar
o conhecimento e imagem da polícia, além de obter do público informações para
investigações criminais.
Em uma análise realizada por Meijer
e Torenviled (2014), essa prática mostra que a partir do Twiter muitos policiais tem agora um
canal de comunicação externo direto com a população. Usando seus nomes
profissionais como forma de identificação, os policiais enviam centenas de
mensagens por dia, temas quais são recebidas por mais de um milhão de pessoas.
Os casos aqui evidenciados mostram que
estamos em um momento de transição de um modo de governo mais tradicional para a
construção de uma governança em rede, não só no Brasil, como em diversos países
no mundo. As tecnologias de informação e comunicação, nesse sentido, tem dado
suporte para que os ideários de um modelo de Estado que se baseia na coprodução
de serviços públicos sejam efetivados.
Podemos então observar que os governos têm passado por alguns estágios no
que se refere à accountability e o uso da tecnologia como facilitadora da sua
efetivação. Conforme o esquema a seguir, temos em um primeiro estágio um
mecanismo de comunicação para a divulgação de dados em cumprimento de uma
legislação, representado pelo Portal da Transparência, sendo esta uma forma de
comunicação unilateral. Já na evolução desses mecanismos no Brasil, temos o
surgimento de ferramentas como o E-democracia, um portal proposto pela Câmara
dos Deputados, com o intuito de dar voz ao cidadão na cocriação de leis a
partir do diálogo. Em um terceiro estágio, que ainda é bastante incipiente, teríamos
o uso desses mecanismos para uma comunicação direta e rápida entre cidadãos e
agentes públicos, como é o caso do uso do Twiter pela polícia da Holanda.
Ao olharmos para as iniciativas da sociedade civil, vemos também que
estas se diferenciam no uso da tecnologia. Os portais Vote na Web e Avaaz tem
foco nos processos legais em torno de projetos em discussão propostos pelos governos
e parlamentares, dando conhecimento e voz aos cidadãos sobre os mesmos. Já o
Meu Rio gera mobilização reativa e ativa, sendo que não só se pode pressionar e
questionar ações propostas pelo governo, como se utiliza da mobilização para
gerar discussões no meio político.
Essas tantas iniciativas têm em comum o uso da tecnologia para aproximar
cidadãos e Estado, qualificar a democracia e melhorar as políticas e os serviços
públicos. Como vimos, a accountability social está voltada a melhorar o
desempenho institucional, partindo da conexão entre sociedade e Estado. Nesse
sentido, podemos visualizar estas tecnologias de informação e comunicação como
meios para alcançar a accountability social.
*Este texto foi
elaborado por Luiza Stein da Silva, acadêmica do curso de Administração Pública
da Esag/Udesc, no contexto da disciplina Accountability Systems, ministrada
pela Professora Paula Chies Schommer em 2015-2.
Referências:
AVAAZ. Quem Somos. Disponível em:<http://www.avaaz.org/po/about.php>. Acesso em: 20 nov. 2015.
CAMPOS, A. M. Accountability: quando
poderemos traduzi-la para o português? Revista de Administração Pública, Rio de
Janeiro, fev./abr., 1990.
FRANCO, A. TEDx. São Paulo. 2009.
Disponível em: <https://vimeo.com/10175173>. Acesso em: 21
out. 2015.
FOX, Jonathan. Social
accountability: what
does the evidence really say? Global Partnership for Social Accountability,
GPSA Working papers series, n.1. Washington: GPSA. Sep, 2014. http://gpsaknowledge.org/knowledge-repository/social-accountability-what-does-the-evidence-really-say-2/#.VWDegk9VhBc.
GOVERNO FEDERAL DO BRASIL. Portal
E-democracia. 2015. Disponível em: http://edemocracia.camara.gov.br/. Acesso em: 20 nov. 2015.
GOVERNO FEDERAL DO BRASIL. Portal da
Transparência. Disponível em: <http://www.portaltransparencia.gov.br/>. Acesso em: 20 nov. 2015.
HERNANDEZ, Andres;
CUADROS, Diana. Iniciativas de transparência y accountability en America
Latina: naturaleza, tipológía e incidência en la democracia y el desarollo In:
PINHEIRO, Daniel; MELO, Danilo; COSTA, João (Org.). Democracia: desafios,
oportunidades e tendências. Florianópolis: Imaginar o Brasil, 2014. p. 226-270.
Disponível em:
<https://drive.google.com/file/d/0B6dymYHDfMNzakQyRkVlaVVGWXc/view>. Acesso em: 30 nov. 2015.
MEIJER,
A. J. TORENVLIED, R. Social Media and
the New Organization of Government Communications: An Empirical Analysis of
Twitter Usage by the Dutch Police. The American Review of Public
Administration, Vol. 19, no 1, 2014. Avaiable:https://www.utwente.nl/bms/csd/research/Meijer%20en%20Torenvlied%202014.pdf
NOSSAS CIDADES. Meu Rio. 2015. Disponível em:< Http://www.nossascidades.org/organizations/1>.
Acesso em: 19 maio 2015.
PAIVA, D.; SOUZA, M.
R.; LOPES, G. F. As percepções sobre Democracia, Cidadania e Direitos. Opinião
Pública, Campinas, Vol. X, no 2, Outubro, 2004, p. 368-376.
PEREZ,
Marcos Augusto. A administração pública democrática: institutos de participação
popular na administração pública. Belo Horizonte: Fórum, 2004. 245 p.
quarta-feira, 2 de março de 2016
Ministério da Justiça e parceiros promovem Hackathon sobre Participação no Combate à Corrupção
Inscrições até 14 de Abril
Detalhes em: http://justica.gov.br/labpi
O concurso é voltado para desenvolvedores, programadores, projetistas, designers e pesquisadores com afinidade em tecnologia da informação.
É uma inicitiva do Ministério da Justiça e parceiros institucionais, em especial a Controladoria-Geral da União e o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, além dos demais órgãos componentes da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA).
Detalhes em: http://justica.gov.br/labpi
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
ITS Rio seleciona gestores de projetos em Democracia e Tecnologia e em Inovação
O Instituto de Tecnologia & Sociedade do Rio - ITS Rio é um think tank que trabalha com temáticas relativas a Democracia e Tecnologia, incluindo a plataforma de consultas públicas Mudamos.org e outras ferramentas de governo aberto.
Há duas vagas abertas para Gestores de Projetos, uma na área de Democracia e Tecnologia, a outra na área Repensando Inovação. Uma vas vagas é justamente para coordenar a plataforma Mudamos.org, que está no seu segundo ciclo de consultas. A atual é sobre segurança pública.
Sobre:
A chamada da vaga:
O vídeo do ciclo de consultas atual
A Mudamos.org
Prazo do processo seletivo: até 10 de março.
Para mais detalhes sobre perfil e seleção: http://itsrio.org/jobs/
terça-feira, 26 de maio de 2015
Tecnologia da Informação a Serviço da Cidadania – a experiência do Gabinete Digital/RS
Por Denise Regina Struecker*
O Novo Serviço Público é uma alternativa à administração tradicional, inspirado na teoria política democrática, que busca restabelecer a conexão entre cidadãos e governo para que atuem de forma articulada (Denhardt, 2012, p. 254). A participação social, além do papel de educação dos indivíduos para a cidadania, vem preencher outras lacunas na gestão pública, auxiliando com soluções para problemas complexos que os agentes públicos não têm conseguido resolver. Apesar de ainda incipientes, pesquisas recentes mostram que as organizações que se abrem para o compartilhamento de decisões percebem um incremento considerável em seu desempenho (Neshkova e Guo, 2012).
Contudo, esse novo caminho
precisa enfrentar as resistências de um modelo eminentemente burocrático, ainda
arraigado na Administração Pública. A principal responsabilidade pela mudança,
possibilitando a união da teoria com a prática, recai nos administradores e
servidores públicos, desde que imbuídos de valores democráticos e capacidade de
liderança. A abertura ao diálogo é uma necessidade, que se torna mais
desafiadora à medida que saímos da esfera municipal para a interação com os
governos estaduais e federal. Para atingir tal amplitude de atores e
possibilitar a integração, parece que o rumo natural é a utilização da
tecnologia da informação a serviço da cidadania.
Nessa linha, o Governo do
Estado do Rio Grande do Sul lançou, em 2011, o Gabinete
Digital, plataforma desenvolvida em software
livre que congrega diversas ferramentas de diálogo e participação social. Uma
das funcionalidades é a consulta pública online, inspirada na ferramenta “All Our Ideas” desenvolvida pela
Universidade de Princeton, na qual o governo propõe determinada questão, cujas
respostas são incorporadas à agenda governamental de acordo com a valoração que
receberem, numa metodologia de avaliação por escala. Considerando que participação virtual como
única via pode ser uma limitação, eis que nem todos têm acesso à tecnologia, existe
um sistema de apoio, com vans equipadas com tablets que circulam pelo Estado,
assim como alguns pontos de acesso a computadores e telecentros conectados à
plataforma, possibilitando a expansão da consulta.
O Gabinete Digital ainda foi utilizado
como espaço de votação de prioridades do orçamento participativo de 2014;
plataforma online de audiências públicas, com transmissão ao vivo e
interatividade entre os atores; palco de debates informais sobre assuntos de
interesse público, além de servir a outras iniciativas de accountability e transparência pública, como as perguntas
encaminhadas pelos cidadãos que, de acordo com a votação obtida, são
respondidas pelo governador ou secretários de estado, muitas vezes acompanhadas
de alguma forma de prestação de contas sobre o tema. Por fim, através do site “De Olho nas Obras”,
é possível acompanhar das obras públicas e exercer a fiscalização cidadã,
encaminhando fotos, vídeos e comentários sobre seu andamento e/ou eventual
irregularidade.
No balanço do período
2011/2014, disponibilizado na página oficial do Gabinete
Digital, é possível verificar que a iniciativa
teve grande participação e trouxe resultados concretos. Apenas na edição de “O
Governador Pergunta” cujo tema foi a melhoria no atendimento à saúde, por
exemplo, foram mais de 1.300 propostas recebidas, 120.000 votos computados e 50
propostas priorizadas. Entre as demais ações que derivaram dessa interação
destacam-se a desvinculação dos Bombeiros da Brigada Militar, a modelagem do
pedágio das estradas estaduais e o passe livre estudantil. A plataforma foi
destaque nacional e internacional e inspirou outras experiências, como o
gabinete digital de Caruaru/PE e o do próprio governo federal.
Apesar do aparente sucesso, a
utilização de tecnologias de comunicação e informação recebe algumas críticas,
em especial quanto à necessidade de ampliação das ações deliberativas e à
dificuldade de alcançar determinada parcela da população, que acaba alijada
desse processo - no Rio Grande do Sul, por exemplo, apenas ¼ da população tem
acesso a computadores (Brisola et al,
2012). Muito embora a acessibilidade venha sendo ampliada sensivelmente com a
disseminação dos equipamentos móveis, inclusive nas classes populares, cabe
aqui referir a importância de iniciativas complementares que incentivem e
facilitem a inclusão dos demais cidadãos aos mecanismos de participação disponibilizados.
Outra questão que ilustra os
muitos desafios à efetiva incorporação da participação cidadã na gestão pública
é a falta de conscientização da importância desse diálogo por parte dos
gestores. As boas iniciativas são pontuais, muitas vezes condicionadas à
vontade política de determinados governantes, que com a descontinuidade do
mandato acabam enfraquecidas ou relegadas a segundo plano pelo sucessor. Foi o
que aparentemente ocorreu, até o momento, com o Gabinete Digital, tendo em
vista que desde o início do novo governo, em janeiro de 2015, não houve mais
atualização do site ou novas ações. Segundo noticiado[1], o
projeto será redirecionado para a área de comunicação, perdendo a importância
estratégica do vínculo direto com o governador.
De qualquer forma, a
experiência é uma inovação nas práticas de participação social para definição
de ações e políticas públicas. Em
especial, por se tratar de um espaço permanentemente disponível, utilizado para
atender vários setores, portanto com potencial para introduzir a cultura de
participação no dia a dia dos cidadãos. Ainda, através do Gabinete Digital fica
demonstrado que, mesmo na esfera estadual, mais complexa e com maior número de participantes,
a articulação com os cidadãos é viável, com o auxilio da tecnologia da
informação e, pelos resultados alcançados, pode legitimar as decisões
governamentais.
Referências:
BRISOLA, A.C. et al.
Internet e Participação: uma análise do Portal Gabinete Digital. Revista Anagrama: Revista Científica
Interdisciplinar da Graduação. Ano 6 - Edição 1 – Setembro-Novembro 2012.
Disponível em http://www.revistas.usp.br/anagrama/article/view/46359. Acesso em 10 de maio
de 2015.
DENHARDT, Robert B.
Teorias da Administração Pública. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
NESHKOVA, Milena I.; GUO, Hai
David. Public participation and organizational performance: Evidence from state
agencies. Journal of Public
Administration Research and Theory, v. 22, n. 2, p. 267-288, 2012. Disponível em http://connection.ebscohost.com/c/articles/74075168/public-participation-organizational-performance-evidence-from-state-agencies. Acesso em 10 de maio de 2015.
* Texto produzido pela mestranda Denise Regina Struecker, do Programa de
Pós-graduação em Administração da Udesc/Esag e do grupo de pesquisa Politeia,
no contexto da disciplina de mestrado Coprodução do Bem Público.
[1]
Disponível em http://www.rs.gov.br/conteudo/209712/secretaria-geral-reune-equipe-e-define-acoes-para-fortalecer-projetos-de-governo.
Acesso em 10 de maio de 2015.
Tecnologia da Informação e Comunicação (Tic) como instrumento de Coprodução para o exercício da Cidadania
*Por
Caroline Rodrigues Döerner
A comunicação está presente na vida do ser humano desde os
primórdios. Trocar informações, registrar fatos, expressar ideais e emoções são
fatores que contribuíram para a evolução humana. Dessa forma, com o
desenvolvimento das sociedades, o homem aprimorou sua capacidade de se
relacionar, sendo que conforme as necessidades surgiram, o indivíduo passou a
criar novas tecnologias e mecanismos para a comunicação. Podemos conceituar
tecnologia como “os conhecimentos que permitem fabricar objetos e
modificar o meio ambiente, com vista a satisfazer as necessidades humanas”.[i]
A comunicação é também a
responsável por grandes avanços. Por meio da troca de mensagens e consequente
troca de experiências, grandes descobertas foram feitas. A comunicação é algo
complexo, uma vez que existem várias formas de se comunicar. O escopo aqui é apontar
o quanto a troca de mensagens, a informação e o relacionamento social são instrumentos
para a evolução de novos conceitos, como por exemplo, a Coprodução e a Gestão
do Conhecimento, que promovem democratização nos relacionamentos entre pessoas.
A Tecnologia da Informação
(TI) teve uma grande evolução e, com a tendência do mundo moderno, inovações e
facilidades ainda serão aprimoradas. A Tecnologia da Informação tem um papel
significativo na criação desse ambiente colaborativo e, posteriormente, em uma
Gestão do Conhecimento. No entanto, é importante ressaltar que esta tecnologia
desempenha seu papel apenas promovendo a infraestrutura, posto que o trabalho
colaborativo e a gestão do conhecimento envolvem também aspectos sociais e
culturais.
Os avanços da tecnologia da informação têm contribuído para projetar a civilização em direção a uma sociedade do conhecimento.
Os avanços da tecnologia da informação têm contribuído para projetar a civilização em direção a uma sociedade do conhecimento.
Atualmente, o foco da
Tecnologia da Informação mudou, tanto que o termo TI passou a ser utilizado
como TIC – Tecnologia da Informação e Comunicação. E, dentro desse conceito,
novas ideais como colaboração e gestão do conhecimento poderão ser edificadas,
porém, mais uma vez é importante enfatizar que nenhuma infraestrutura por si só
promoverá a colaboração entre as pessoas, essa atitude faz parte de uma cultura
que deverá ser disseminada por toda a sociedade. Podemos citar o exemplo do
aplicativo “Waze” em que milhões de
motoristas trabalham juntos em prol de objetivo comum: escapar do trânsito e
fazer com que todos utilizem a melhor rota, para ir e voltar do trabalho, todos
os dias, ou seja, a sociedade atua de forma coprodutiva em um problema público,
que é a mobilidade urbana, por meio da Tecnologia da Informação: “nada pode
superar as pessoas trabalhando juntas”.
As TICs se tornaram um
instrumento capaz de promover e difundir o exercício da cidadania e da
democracia em uma sociedade, tamanho seu alcance e influência. A transformação
de valores e modelos mentais com a conexão e articulação que as TICs propiciam
são impressionantes. A pressão política e a influência nas opiniões são ainda
mais fortes, visto que as informações que os cidadãos podem ter acesso estão
aumentando a passos largos. Alguns instrumentos como a Lei de Acesso a
Informação n° 12.527/2011, permite ao cidadão obter informações e
dados da gestão pública, favorecendo a Accountability na
Administração Pública.
Uma das experiências de
Tecnologia da Informação como instrumento de colaboração é a plataforma Cidade Democrática,
em que é possível o compartilhamento de questões públicas, criar e divulgar
propostas e problemas e iniciar uma conversa com outros atores sociais; receber
apoios para suas propostas e problemas; apontar e compartilhar questões
públicas; conhecer o cenário e ter acesso a informações sobre os temas e
localidades de interesse; reconhecer comunidades de colaboração e formar redes
de pessoas e entidades que atuam em certos temas e locais; apoiar propostas e
problemas apontados por outros usuários e entidades; fazer comentários e
perguntas de interesse público; criar o seu “observatório”
para seguir e participar de discussões sobre os assuntos e as localidades que
lhe interessam.
Quanto mais aumentarmos a
quantidade de cidadãos com acesso à informação pública e à política, automaticamente
aumentaremos a participação social, favorecendo o exercício da cidadania e da
democracia, bem como motivando o engajamento do cidadão, como nos exemplos de
coprodução, permitindo, assim, uma maior qualidade e diversidade dos bens
públicos.
*Caroline Rodrigues Döerner é
Contadora, Bacharel em Direito e Especialista em Auditoria e Perícia Contábil.
Atualmente é Finance Manager de multinacional japonesa na área de tecnologia,
Consultora Associada da empresa GDWill Consultores Associados e aluna especial
das disciplinas de Coprodução do Bem Público e Administração Pública, Estado e
Sociedade do Mestrado em Administração da ESAG-UDESC.
quarta-feira, 11 de março de 2015
Plataforma "De Olho nas Metas" será lançada pela Rede Nossa São Paulo
A Rede Nossa São Paulo lançará, em parceria com a Avina Américas e o Centro de Mídias Cívicas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT Center for Civic Media), no dia 24 de março, uma plataforma digital contendo uma série de instrumentos para telefonia móvel e mídias sociais com a finalidade de promover o acesso à informação e divulgar como está o andamento das promessas que foram feitas no âmbito da administração municipal. Tal sistema dará à sociedade civil o poder de acompanhar a execução das metas em cada região de um município, como o andamento das obras da prefeitura, por exemplo.
Durante o evento que lançará o sistema, a própria Rede Nossa São Paulo avaliará o Plano de Metas da Prefeitura 2013-2016, no qual contempla 123 metas a serem executadas até o final da atual gestão.
Durante o evento que lançará o sistema, a própria Rede Nossa São Paulo avaliará o Plano de Metas da Prefeitura 2013-2016, no qual contempla 123 metas a serem executadas até o final da atual gestão.
Serviço:
Lançamento do sistema “De Olho nas Metas”
Data: 24 de março de 2015
Horário: das 9h30 às 12h30
Local: Sesc Consolação
Rua Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque
Notícia completa em: http://www.nossasaopaulo.org.br/noticias/rede-nossa-sao-paulo-lancara-plataforma-de-olho-nas-metas
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
GPSA Webinar: How can citizens collaborate and engage with accountability institutions to improve government performance and access to fundamental rights?
March 10, 2015 10:00 am EST
Enrique Peruzzotti is professor at the Department of Political Science and International Studies at the Torcuato Di Tella University and a researcher of CONICET. His areas of interest are civil society and democracy in Latin America. He has worked in various projects of civil society in Latin America, which focused on the analysis of new forms of civil politicization such as a regional movement of human rights and diverse organized initiatives demanding accountability.
He was a Guggenheim Memorial Foundation Fellow (2009-2010). He has been visiting researcher in the The Woodrow Wilson International Center for Scholars, UNRISD, The National Endowment for Democracy, LSE, The University of New Mexico, and visiting professor in The American University of Paris, FLACSO Ecuador, University of Kentucky, The National University of Rosario and the Federal University of Minas Gerais. He has published numerous books and articles on democratization and social control in Latin America.
The following two articles are related to the webinar that will be presented:
Enrique Peruzzotti (2012). “THE SOCIETALIZATION OF HORIZONTAL ACCOUNTABILITY: RIGHTS ADVOCACY AND THE DEFENSOR DEL PUEBLO DE LA NACION IN ARGENTINA” in Ryan Goodman and Thomas Pegram (eds.) Human Rights, State Compliance, and Social Change. Assessing National Human Rights Institutions. Cambridge: Cambridge University Press.
Enrique Peruzzotti (2012) “BROADENING THE NOTION OF DEMOCRATIC ACCOUNTABILITY: PARTICIPATORY INNOVATION IN LATIN AMERICA” Polity, Volume 44, Number 4.
Details/To participate: GPSA Webinar: How can citizens collaborate and engage with accountability institutions to improve government performance and access to fundamental rights?
More Webinars: http://gpsaknowledge.org/event-type/webinars/#.VOxruPnF8_A
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Simpósio Internacional Urbanismo Ecológico
No dia 14 de Outubro de 2014, das 9h às 17h (simpósio) e 17h às 19h (lançamento do livro), em São Paulo, ocorrerá o Simpósio Internacional Urbanismo Ecológico, evento que reunirá arquitetos, planejadores e urbanistas, teóricos, políticos e líderes do terceiro setor para debater o meio urbano sob diversos temas abordados no livro homônimo.
O livro Urbanismo ecológico, editado por Mohsen Mostafavi e Gareth Doherty, da Harvard Graduate School of Design (GSD), surgiu da necessidade urgente de abordar o urbanismo sob um enfoque ecológico como método prático e criativo para enfrentar a realidade das cidades. Ainda que as mudanças climáticas, a arquitetura sustentável e as tecnologias ecológicas sejam questões perfeitamente assentadas no imaginário coletivo, o mesmo ainda não ocorreu com aqueles temas relacionados à sustentabilidade urbana. Assim, Urbanismo ecológico se constitui em uma aposta deliberada pela consolidação definitiva do conceito de “urbanismo ecológico” por meio da compilação de uma série de textos-chave sobre a matéria. O resultado é um amplo panorama que contribui para desenhar a imagem plural, complexa e repleta de nuances que o sistema urbano assume quando estudado sob a ótica ecológica.
A Rede Nossa São Paulo é correalizadora do evento por meio do Programa Cidades Sustentáveis. Oded Grajew, coordenador geral da Rede Nossa São Paulo e do Programa Cidades Sustentáveis, participará da mesa de discussão "Bordas da Cidade", acompanhado dos especialistas: Christian Werthmann, da Universidade Leibniz Hannover; Ermínia Maricato, da Universidade de São Paulo; Fernando de M. Franco, secretário municipal de Desenvolvimento Urbano de São Paulo; Nelson Brissac, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; José Armênio de Brito Cruz, da Escola da Cidade e Paulo Saldiva, da Universidade de São Paulo.
O moderador Guilherme Wisnik, da Universidade de São Paulo, guiará a discussão passando por temas como infraestrutura, paisagens produtivas, vulnerabilidade social, desenvolvimento local, preservação contra a expansão e resiliência.
Mais informações:
Inscrições - Entrada Franca - Agenda
Local: Centro Cultural São Paulo. Rua Vergueiro, 1.000 Paraíso, São Paulo - SP.
Inscrições - Entrada Franca - Agenda
Local: Centro Cultural São Paulo. Rua Vergueiro, 1.000 Paraíso, São Paulo - SP.
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